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Os fiéis católicos são especialistas em classificar os ofícios dos santos. Quem já não ouviu falar da faina de Santo Expedito, São Sebastião, Santa Rita de Cássia, São Judas Tadeu, Santo Antônio, São Brás...? E assim vai a ladainha dos santos e das santas de Deus. Isto se dá a partir dos benefícios recebidos pelos miraculados. Mas, nem sempre a tarefa atribuída pelos devotos sintetiza a vida e a obra do beato ou do santo. Por exemplo, Santo Antônio, um dos santos mais populares do mês de junho, seu brilho está em ser casamenteiro. Quantos pedidos e promessas são feitos a ele nesta intenção? Mas, se formos a sua história, veremos que sua grande missão foi pregar a Palavra de Deus, vivendo uma vida austera, pobre e humilde. E de onde veio a tônica em torno do casamento? Não sabemos, mas devemos nos orientar por sua verdadeira missão: a voz que proclama e ensina a Palavra de Deus.


Falando sobre as tarefas dos santos e das santas de Deus, deparamo-nos com o nosso candidato ao cume dos altares da Igreja, o Servo de Deus Pe. Júlio Maria De Lombaerde. Qual será seu principal ofício?


É um trabalho bem difícil! Por que a grande missão do Pe. Júlio Maria foi ser sacerdote missionário. No sentido real do termo. Homem profundamente eclesial, de sentir com a Igreja e viver com e para ela. O Pe. Júlio Maria em tudo foi padre, como bem ensinava aos seus filhos espirituais, quando dizia que queria ser um padre hóstia que se oferecia a Deus Pai, para realização do reino de seu Filho Nosso Jesus Cristo, movido pelo Espírito Santo, a fim de se consumir todo pela missão da Igreja. Por causa disto, ensinava a Palavra Deus, santificava seu rebanho pelos sacramentos e conduzia os fiéis com as feições do Bom Pastor. O apostolado junto as suas ovelhas não tinha distância, horas e nem dificuldades, o importante era estar junto àqueles que necessitavam de seu auxílio. Era o Bom Pastor que conhecia as necessidades, as angústias e sofrimento de seu redil.


Mas, qual era o diferencial do Pe. Júlio Maria em seu ofício?


A devoção mariana do Pe. Júlio Maria o levou a radicalizar o seu amor a Deus e a Igreja. Por causa deste amor ele abriu um caminho: a mistagogia. Ele quis conduzir todas as pessoas ao mistério de Deus. Por isso, devorou quilômetros pela fome de evangelizar, escreveu livros, artigos, pregou retiros, deu catequese, atendeu os fiéis em confissão, celebrou a eucaristia, cuidou das crianças, adolescente, jovens, adultos e idosos... Tudo isto fez por uma única motivação: fazer com que o homem e a mulher se encontrassem em Deus, sentissem que Ele é o todo de sua história. E depois deste encontro, fizessem a opção de se dar e de se oferecer como sacramento de salvação para o mundo.


O específico do Pe. Júlio Maria é ser um santo mestre espiritual. Ele nos ofereceu uma espiritualidade enraizada na tríade: fé, seguimento e missão. Quem dele se aproxima, é tocado, provocado e animado a sair de suas misérias e começar um caminho de fé movido por um desejo missionário. O Pe. Júlio Maria com o seu jeito mariano e mistagogo facilmente introduzirá o fiel ao coração do Cristo eucarístico, que logo o convidará a ser missionário, e lutar pelos triunfos do seu reino que já começa aqui entre nós.


Por isso, não esperemos uma devoção popularizada deste candidato aos altares, como a de São Francisco de Assis, Santo Antônio, São Judas Tadeu... Cada santo com seu estilo, com seu apelo, com suas virtudes. O jeito de ser santo do Pe. Júlio Maria, assim como seu ofício se difere dos santos citados. De nossa parte, é preciso apresentá-lo não só pelo viés histórico, mas, sobretudo pela trilha espiritual. Uma vez feito este caminho deixemos o Pe. Júlio Maria fazer seu trabalho: ser mestre espiritual de seus devotos, levando-os a seguir a Jesus Cristo na Igreja, por meio da vocação missionária.



Pe. Marcos Antônio Alencar Duarte, SDN