São 70 anos de um invento, daquela experiência louca de um indivíduo com tamanha audácia em amarrar dois megafones no alto de um poste afim de se fazer ouvir o mais longe que puder. Mas são com atitudes louváveis como essa que grandes empreendimentos se tornam realidade. Por isso, o ato de se fazer memória. Recordar do tempo que passou, relembrar o nascimento, o início de tudo e reviver com saudosa esperança e alegria o tempo que passou até o vindouro nascer do sol.
E nossas rádios fazem essa memória ao inaugurar a Sala da Memória da Fundação Bom Jesus. Será possível tantos anos assim se alojar num cômodo? Será possível tantas experiências ficarem expostas numa sala? Claro que não. Mas é nesse ambiente que a riqueza de todo esse caminho ficará preservado para a posteridade, para o hoje, para o agora. E ali, a cada visita, uma nova experiência é recordada e espalhada e assim, vamos fazendo memória de um para o outro, espalhando por entre as conversas da cidade de que o Rádio de Manhumirim fez e faz parte de nossa história.
Quem será que se lembra da primeira voz transmitida por aqueles autofalantes? Quem de vocês se lembra da primeira música veiculada? Quem se lembra da primeira missa transmitida? O primeiro locutor... o primeiro programa... a primeira piada... a primeira notícia... Memória...
Durante essa trajetória quantas e quantas vezes afirmaram que o rádio iria acabar, estava fadado a desaparecer, no entanto, ele se atualizava, se renovava e ressurgia ainda mais forte e mais presente na vida da gente. Ele prova a cada virada de década que veio para ficar. Dos autofalantes ele encontrou forças nas ondas magnéticas e foi parar nas estantes das nossas casas. Das estantes o aparelho se modernizou mais uma vez e, para quem achou que a televisão ia roubar seu lugar, se enganou, ele diminuiu seu tamanho, criou novas frequências de transmissão e passou a nos acompanhar na cozinha, na escola, no carro, no celular, no MP3 player, e hoje ele está na internet no serviço de App, em todo lugar.
Esse é o rádio! Se inova e se renova, atualiza seu instrumento, sua linguagem, atualiza até seus programas, tudo isso para estar cada vez mais perto de nós, falando nossa língua e se identificando com cada ouvinte.
Parabéns à Fundação Bom Jesus pelos 70 anos que irão celebrar em breve. Parabéns à Rede Bom Jesus de Comunicação que ousa por enveredar pelos novos caminhos digitais afim de se aproximar cada vez mais do seu público. Parabéns a você ouvinte que acorda com o rádio, trabalha com o rádio, pedala com o rádio, dirige com o rádio. Cozinha com o rádio.
O rádio sem você com certeza não estaria entre nós. Se o rádio ainda existe, e sempre vai existir inovando seus formatos, ele existe porque você, querido ouvinte, é o nosso companheiro fiel de todos os dias.
A dona Maria que todos os dias, ao lado do fogão à lenha passa o café pra família enquanto ouve o Bom Dia do locutor; ao sr. João que está lá no curral tirando o leite enquanto o locutor lhe informa sobre a previsão do tempo e dá as primeiras notícias do dia; ao Pedro que, enquanto espalha os grãos de café sobre o terreiro de cimento está com seu radinho à pilha curtindo uma boa música pela manhã. Não podemos esquecer das Beatriz, Ana, Marcelo, Luciana, Adriana, Paulo, José que todos os dias saem para o trabalho e no carro ou conectados no fone de ouvido vão acompanhando a programação do rádio.
Uma fala de 1944 diz o seguinte: ?O rádio é uma obra-prima do espírito inventivo do homem. Com asas mais rápidas que as ondas sonoras ela ultrapassa todas as fronteiras; leva-os todos e a todos os lugares, tanto aos pequenos como aos grandes, à remota casa de fazenda na montanha, à populosa cidade...? (Papa Pio XII, 03.12.1944)
Frt. Dione Afonso, SDN
Missionário Sacramentino de Nossa Senhora
Foto: A memória do rádio.
Foto de Pierre Prégardien por Pixabay
26 de novembro de 2020.