Não importa onde; não importa a altura; não importam as dificuldades de acesso; as fronteiras geográficas; as leis democráticas; a condição financeira; rosto; cor; idade; gosto; sonhos; anseios... e não importa nem mesmo as motivações: o rádio sempre estará ali, seja no transístor, no aparelho movido à pilha, ou no home theater. Seja no celular ou até mesmo na TV. Seja no carro, no trabalho, nos fones de ouvido, no universo dos aplicativos ou nas caixinhas de som espalhadas por aí... É sempre o rádio!
Aquele pequeno sinal que congrega, que une, acolhe, informa, aconselha, comunica, canta, alegra, provoca, convida... Um pequeno sinal de grandiosidade porque rompe a solidão e nos anuncia esperança!
Entre as mais altas e belas montanhas de Minas Gerais. Superando os baixos graus do frio de inverno, há 70 anos uma voz eclodiu, mesmo tímida, entre a neblina branca e baixa anunciando a Nova Era da Comunicação. É inverno no calendário, mas o calor da voz aquece a estação radiofônica irradiando ondas calorosas de vozes. Vozes que nos acompanham e nos emocionam; vozes que nos cumprimenta e orienta; vozes, que em cada um de nós, nos representa! Do alto de um tronco de bambu, seco e sem vida, é anunciado o início de um sonho. Do ramo seco gerou-se vida nova. E assim a Voz de Manhumirim começou a comunicar a sua história.
Hoje seu slogan dos 70 enaltece o verde das montanhas exuberantes que formam o seu berço. Ali, sua marca vai aos poucos se firmando aos poucos trazendo notícia, informação, música e o mais importante: ouvindo quem quer falar. O poder da voz é incomparável nos meios de comunicação. Sem a voz, não existe rádio. É como o esqueleto sem o coração humano. A voz é poder e alma. Poder porque pode convencer, ensinar, questionar, comunicar, impedir, decidir, proclamar, denunciar. Alma, porque ela é humana, é identidade, é força, é vigor, é presença, é representatividade. Sua voz é seu nome. Nossa voz é nossa cultura, nosso lugar. Nossa cidade.
Parabéns Manhumirim!
?Parabéns Rádio Manhumirim! São 70 anos. Alegria por ter feito de mim também uma Voz de Manhumirim, porque voz é lugar. Voz marca território. Assim como no universo dos animais. Muitos demarcam território com seu estrondoso rugido, ou seu potente canto, grunhido... não importa o som. Ele marca o seu lugar. NOSSA VOZ, NOSSO LUGAR. Mais do que CEP ou limite de município, é uma questão de humanidade. E que isso nunca se perca do horizonte de sua missão e seus valores: o rádio pode humanizar. A voz pode curar. E isso não é clichê, é espírito de alteridade. E se não for assim, se não for sempre a serviço do outro, do ouvinte, dos milhares que estão do outro lado do microfone, o rádio perde sua identidade e sua razão de existir. O locutor pode até continuar transmitindo credibilidade, verdade e trazendo notícias em tempo real. Mas poderá não ser mais ouvido, porque se esqueceu de quem está do outro lado. Se esqueceu quem é, de fato, a notícia: o seu ouvinte!
Por Dione Afonso | PUC Minas
21 de abril de 2021
Foto: Reprodução / Intervenção na imagem de @fabriciomacedoFGMsp.